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Matéria original publicada em www1.folha.uol.com.br

De acordo com um parecer do CREMESP ( Conselho Regional de Medicina de São Paulo), as visitas virtuais de familiares a pacientes com Covid-19 na UTI ou nas emergências estão proibidas.

No parecer, o Cremesp lembra que outros pareceres de 2016, ou seja, pré-pandemia, já vedaram filmagens ou fotos de pacientes em sala de emergência e UTI.

Em relação a pacientes sedados ou em coma, o conselho também entende ser “absolutamente proibida” a exposição, uma vez que o seu consentimento é impossível nessas condições e, além disso, não haveria “a alegada interação com os familiares”.

Nesta sexta (26), entidades médicas de cuidados paliativos, de medicina intensiva e de de psico-oncologia se posicionaram contra o parecer do Cremesp. Para elas, a pandemia agravou o sofrimento mental dos pacientes críticos e de seus familiares pelo afastamento compulsório, um fato reconhecido por instituições de saúde e sociedades científicas de todo o mundo. Em razão disso, várias recomendações foram publicadas sobre como utilizar as visitas virtuais para mitigar o sofrimento, incluindo medidas de segurança para salvaguardar a confidencialidade do paciente e preservá-lo de exposição indevida em redes sociais.

Para o geriatra Douglas Crispim, presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos “Há anos que as pessoas entubadas na UTI tiveram o direito conquistado de receberem visitas. Com a pandemia, as visitas deixaram de ser presenciais e se tornaram virtuais”,

Segundo o médico, ao proibir as visitas o conselho tira a única chance da despedida de casais e filhos, por exemplo, que, muitas vezes, não terão nem mesmo a possibilidade de fazer um velório.

Segundo a médica Suzana Lobo, presidente da AMIB (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), no início da pandemia foi compreensível que as boas práticas de comunicação e de cuidados centrados nos pacientes e na família tenham sido esquecidas. “Mas a percepção da importância e a necessidade da melhoria da comunicação foram imediatas, e os serviços de saúde rapidamente se adaptaram e se reestruturaram para manter uma comunicação melhor. Não podemos retroceder. Diria ainda que esforços são necessários para que possamos melhorar.”

Em nota, o Cremesp considera saudável a discussão suscitada pelas sociedades médicas sobre o tema e reforça a importância da interação tanto de pacientes com seus familiares e amigos, de médicos e familiares de seus pacientes e de médicos e pacientes. No entanto, diz o conselho, as limitações associadas à tecnologia não podem ser ignoradas, principalmente no atual cenário.

Nota: Ressaltamos que apesar da notícia informar que as videochamadas de pacientes foram proibidas, o Parecer nº 131045/2021 não proibiu as ligações. O CREMESP não tem poder legal para citada proibição.

Além disso, o Conselho só regula a relação entre médico e paciente. O objetivo do Parecer é ressaltar o sigilo e privacidade dos pacientes. O Parecer afirma somente que o médico não deve filmar ou fotografar pacientes em UTI ou emergências, para preservar sua privacidade e evitar exposições.

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